Santa Catarina: da rua Formosa ao Marquês

A rua de Santa Catarina é o epicentro comercial do Porto. Os primeiros três ou quatro quarteirões brilham com a agitação das lojas e das boutiques. No entanto, no seu tramo superior, Santa Catarina revela uma faceta diferente – menos conhecida, mais residencial e sujeita a um trânsito automóvel intenso – mas que encerra igualmente muitas histórias que anseiam por ser reveladas.

Manuel de Sousa

Prova de atletismo, 1985. A rua de Santa Catarina apresenta-se aqui já na sua configuração atual. [Alexandre Pereira | CMP, Arquivo Histórico Municipal]

Olá! Seja muito bem-vindo(a)! Ao vê-lo(a) por aqui, depreendo que tenha gostado da primeira parte do nosso percurso pela rua de Santa Catarina

Pois bem, nesse primeiro passeio, começámos na praça da Batalha e viemos até à rua Formosa. E é precisamente neste cruzamento que vamos reatar o percurso.

Depois de atravessarmos a rua Formosa e, estando nós do lado direito da rua de Santa Catarina, deparamo-nos imediatamente com a magnífica fachada da loja que faz gaveto. Este espaço é atualmente ocupado pela Tezenis, mas as montras foram feitas em 1922 – com projeto do arquiteto Leandro de Morais (1883-1939) – para a firma Domingos Bacelar, Irmãos e C.ª, mais conhecida como Armazéns Bacellar. Aliás, no cunhal da fachada ainda se conserva o monograma respetivo.

O palacete de José António de Castro Pereira (à esquerda) e a montra dos antigos Armazéns Bacellar (na esquina com a rua Formosa), 2023 [Manuel de Sousa]

O palacete que já foi liceu

Logo ao lado, no número 264, encontramos um majestoso edifício de rés do chão mais quatro andares: o palacete brasonado de José António de Castro Pereira.

Constituído pela justaposição de dois lotes estreitos idênticos, o palacete for erguido na década de 1840 para habitação da família de José António de Castro Pereira (1789-1849), nascido em Bragança, fidalgo, cavaleiro da Casa Real e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição. Para além de detentor de títulos nobiliárquicos, era também capitalista e negociante de grosso trato na praça comercial do Porto, pelo que, com a construção deste palacete, procurava também consolidar a sua posição económica e social.

Mas José António de Castro Pereira usufruiu do palacete durante poucos anos. Com a sua morte, o edifício passou para a viúva, Antónia Margarida Antunes Navarro (1801-1876), de uma família com ascendência judaica de Lagoaça, Freixo de Espada à Cinta. Em 1866, problemas financeiros da família obrigaram a viúva a alugar o palacete ao Liceu Nacional Central do Porto, instituição onde, entre outros, lecionou Antero de Quental. Pagando uma renda anual de 850 mil réis, o liceu aí ficou até 1879.

Mas, entretanto, em 1876, morreu Antónia Margarida Antunes Navarro, passando o edifício para a posse de seu filho, Júlio César de Castro Pereira (1836-1899), comendador da Ordem de Cristo e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e 2.º visconde de Lagoaça, título este que recebera do seu tio, irmão da mãe, António José Antunes Navarro (1803-1867), que tinha sido 1.º visconde e conde de Lagoaça e que foi presidente da Câmara do Porto entre 1858 e 1865.

Ora, só por curiosidade, aproveito para lhe dizer que foi o primeiro visconde de Lagoaça que mandou instalar os primeiros urinóis em diversos pontos da cidade do Porto. Foi motivo de galhofa nas gazetas e entre os populares que, aos urinóis, chamavam as lagoaças.

Mas voltando ao palacete, como a situação financeira da família continuou a degradar-se, o edifício foi penhorado e acabou na posse de Inácio Pinto da Fonseca  vamos falar outra vez sobre ele, já a seguir  que mandou picar o brasão dos antigos proprietários e, em 1894, acabou por vendê-lo ao Estado. O palacete passou a albergar serviços do Ministério das Obras Públicas, a Direção dos Monumentos Nacionais e outras repartições do Estado.

Do outro lado da rua, no número 287, encontramos o Adão Oculista, loja que abriu as suas portas em 1962 e que é, desde 2018, reconhecida pelo programa Porto de Tradição da Câmara do Porto.

O palacete que já foi jornal e agora é shopping

Logo à frente, do lado direito da rua, encontramos a fachada – sim, porque só sobreviveu mesmo a fachada – do antigo palacete de Inácio Pinto da Fonseca.

A casa apalaçada foi erguida em 1865. De uma família com origens em Felgueiras, Inácio Pinto da Fonseca (?-1897) tinha três irmãos: Manuel, António e Joaquim. Apesar de ser rico, Inácio terá sido, de todos os irmãos, o menos abastado e o mais alheado dos negócios.

Sobre o seu irmão mais velho, Manuel Pinto da Fonseca (1804-1855), sabemos que emigrou para o Brasil, onde se dedicou ao tráfico de pessoas escravizadas. Regressando a Portugal em 1851, com uma fortuna fabulosa, levou uma vida de luxo, o que lhe valeu a alcunha de Conde de Monte Cristo. No Porto, mandou construir um sumptuoso palacete na avenida da Boavista. Foi também Manuel Pinto da Fonseca que, em sociedade com o seu irmão Joaquim (1816-1897), montou uma casa bancária que, mais tarde, numa parceria com o Banco Burnay, viria a dar origem ao Banco Fonsecas & Burnay, integrado no BPI em 1991. O passado negreiro de Manuel Pinto da Fonseca foi abertamente denunciado pelo escritor Camilo Castelo Branco (1825-1890).

Voltando ao palacete da rua de Santa Catarina, sabemos que, quando Inácio Pinto da Fonseca faleceu, em 1897, o edifício passou para a posse da viúva. No entanto, com a morte desta, em 1917, os filhos optaram por dar outro uso ao palacete. Durante alguns anos, aqui funcionou o Splendid Club, à época considerada a casa de batota mais luxuosa do Porto. E, pouco depois, mais concretamente em 1921, o palacete passou a albergar o jornal O Primeiro de Janeiro. No entanto, as origens deste periódico vêm já de muito antes.

Passo a explicar: em dezembro de 1867, o então ministro da Fazenda (hoje diríamos das Finanças), Fontes Pereira de Melo, fez publicar um decreto criando um novo imposto sobre o consumo. Indignados e sentindo-se profundamente lesados, a 1 de janeiro de 1868, os comerciantes do Porto encerraram indefinidamente as suas lojas e o povo saiu à rua. As ações de protesto adquiriram, por vezes, contornos violentos, tendo a contestação se alargado imediatamente a Braga e a Lisboa. Não aguentando a pressão, no dia 4, o governo demitiu-se e a lei foi revogada dez dias depois. A Janeirinha foi como ficou conhecido este movimento político. 

E foram intelectuais empenhados nesta luta cívica e política – e não empresários da imprensa – que criaram o jornal O Primeiro de Janeiro nesse mesmo ano de 1868. Dois anos depois, a redação e a administração do jornal mudaram-se para a rua de Santa Catarina, primeiro para os números 38 a 42, em 1878, para os números 199 a 201 (esquina da rua Formosa) e, finalmente, em 1921 para o número 326, o palacete de Inácio Pinto da Fonseca.

O centro comercial Via Catarina que mantém a fachada do antigo palacete de Inácio Pinto da Fonseca onde, durante setenta anos, funcionou o jornal O Primeiro de Janeiro, 2023 [Manuel de Sousa]

Entre os seus colaboradores, o Janeiro contou com os mais prestigiados intelectuais da época: Alberto Pimentel, Antero de Quental, António Nobre, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Latino Coelho, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão. Em 1923, o jornal foi adquirido por um conjunto de empresários, liderados por Manuel Pinto de Azevedo (1874-1959), dono da Efanor, tornando-se numa referência nacional, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando assumiu posições favoráveis aos Aliados, numa época em que o regime se inclinava para as potências do Eixo.

No entanto, a partir de 1978, o Janeiro entrou numa espiral de instabilidade, sucedendo-se as direções. Em 1986, e durante um curto período, o jornal chegou mesmo a ser dirigido pela escritora Agustina Bessa-Luís (1922-2019). Acabou por encerrar em 2009, vários anos depois de ter vendido a sua sede à Sonae que, anexando alguns prédios vizinhos e demolindo integralmente o seu interior, construiu o Via Catarina, um centro comercial com 82 lojas e 578 lugares de estacionamento automóvel, inaugurado em 1996.

Foto Guedes

Entre os edifícios vizinhos do palacete, que também foram demolidos para dar lugar ao Via Catarina, contam-se os números 346 e 350, onde, entre 1885 e 1932, esteve instalada a casa fotográfica Foto Guedes. Henrique António Guedes de Oliveira (1865-1932), natural de Baião, desde cedo demonstrou uma forte inclinação para as artes, a par de convicções políticas vincadamente republicanas. Guedes de Oliveira teve grandes ligações ao meio artístico e literário da época, nomeadamente a Rafael Bordalo Pinheiro, com quem colaborou na revista A Paródia. Produziu e escreveu várias peças de teatro, tendo algumas alcançado certo êxito, não só em Portugal, como também no Brasil.

A Foto Guedes introduziu inovações na arte da fotografia, como o processo Eastman que veio permitir a produção de provas mais acessíveis. Participou em feiras e exposições nacionais e estrangeiras, editou coleções de postais e recebeu numerosos prémios. Para serem retratadas por Guedes de Oliveira, pela sua casa passaram inúmeras figuras destacadas da vida social, política e artística, tais como Guerra Junqueiro, Sampaio Bruno e Palmira Bastos. Guedes de Oliveira foi, também, professor e diretor da Escola de Belas-Artes do Porto, fez parte da Comissão de Estética da Câmara do Porto e foi condecorado com a comenda da Ordem de Santiago.

E, com estas e com outras, chegámos à rua de Fernandes Tomás. Do lado esquerdo, temos a boca da estação de metro do Bolhão. Aliás, como o(a) amigo(a) leitor(a) bem sabe, estamos os uns meros oitenta metros de distância da porta do mercado do Bolhão que reabriu há pouco mais de um ano, depois de profundas obras de conservação e modernização que duraram mais de quatro anos...

Quanto à rua de Fernandes Tomás, podemos dizer que foi rasgada no início do século XIX, tendo inicialmente a designação de rua da Igreja de Santa Catarina, fazendo a ligação entre Santa Catarina e a rua de Malmerendas (atual Dr. Alves da Veiga). A rua foi sendo prolongada para leste e oeste, e só em 1929 chegou ao campo de 24 de Agosto. Em 1935, o arruamento adquiriu o nome atual. Fernandes Tomás (1771-1822) foi jurisconsulto e político e o principal fautor da Revolução Liberal do Porto de 1820.

A capela dos 15.947 azulejos

Fachada lateral da capela das Almas, c.1965 [Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian | Porto Desaparecido]

Atravessada a rua de Fernandes Tomás, impõe-se-nos a deslumbrante fachada de azulejos da capela de Santa Catarina, mais conhecida como capela das Almas. Foi construída nos inícios do século XVIII e restaurada em 1801, a Capela das Almas de Santa Catarina fazia parte da vasta quinta de Fradelos. Até 1929, as fachadas principal e lateral eram pura e simplesmente caiadas de branco. Mas, nesse ano, foram cobertas por 15.947 azulejos historiados da autoria de Eduardo Leite e produzidos em Lisboa, na Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, representando passos da vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina de Alexandria.

Vale a pena sair momentaneamente da rua de Santa Catarina para espreitar o arruamento por trás da capela. Chama-se travessa das Almas e, em tempos anteriores à abertura da rua de Santa Catarina, fazia parte da ligação entre Santo Ildefonso e a quinta de Fradelos. Viela comprida, apesar de estreita, chamou-se Corredoura – como já vimos –, viela do Adro e viela dos Matos. Inicialmente, quando a capela das Almas era uma singela construção de madeira, tinha frente para esta viela.

Travessa das Almas, 2023. Resquícios dos caminhos rurais anteriores à abertura da rua de Santa Catarina [Manuel de Sousa]

De regresso à rua de Santa Catarina, uns 50 metros mais acima, no número 469, fica a casa onde nasceu o poeta António Nobre (1867-1900). Foi batizado na igreja de Santo Ildefonso, frequentou direito na Universidade de Coimbra, mas foi para Paris, em 1890, onde completou os seus estudos em ciências sociais. Foi aprovado no concurso para a carreira diplomática, mas a tuberculose – doença da qual viria a falecer – impediu-o de ocupar qualquer cargo. O estado de saúde precário marcou a poesia de António Nobre. (1892) foi o único livro que publicou em vida. Faleceu na Foz, numa casa com o número 531 da avenida do Brasil. Esta casa, apesar de apelos e petições para que fosse poupada, acabou por ser demolida em 2018 para dar lugar a um novo edifício de sete pisos, projeto do gabinete de arquitetura Pedra Líquida.

Casa onde nasceu o poeta António Nobre (1.º andar), 2023. No piso térreo, uma das muitas lojas de souvenirs. A sua proliferação em Santa Catarina pode estar já a prejudicar a boa imagem comercial da rua [Manuel de Sousa]

Um pouco mais acima, do lado direito, está a travessa de São Marcos. Atualmente, tem apenas 33 metros. É o que sobra da antiga viela das Laranjeiras que, com a viela do Ribeiro, estabelecia a ligação com a rua do Bonjardim, por entre campos, pomares e lameiros. Isto durante o século XVIII.

Uns 50 metros mais adiante, Santa Catarina cruza com a rua da Firmeza que principia em Santos Pousada e termina na rua do Bolhão. Resultou da junção das antigas travessa da Alegria e rua de São Jerónimo, devendo a nova denominação à "firmeza, denodo e resignação com que os portuenses valorosamente resistiram ao apertado sítio de 1832 e 1833" – conforme consta da ata da vereação da Câmara do Porto de 13 de junho de 1838.

A casa onde Camilo se casou com Ana Plácido

Uns oitenta metros mais acima deparamo-nos, do lado direito, com a casa onde Camilo Castelo Branco (1825-1890) e Ana Plácido (1831-1895) se casaram.

Passava já das nove da noite do dia 9 de março de 1888, quando Camilo – então já visconde de Correia Botelho  e Ana Plácido se casaram no 2.º andar do um prédio que tem atualmente o número 630. O ato foi celebrado pelo abade de Santo Ildefonso, após muita insistência dos amigos Freitas Fortuna, Dr. Urbino de Freitas e Dr. Ricardo Jorge que foram testemunhas. No entanto, o casamento durou apenas dois anos porque, a 1 de junho de 1890, Camilo pôs fim à vida com um tiro na cabeça.

Camilo surgiu no Porto em 1843 para se matricular na Escola Médico-Cirúrgica. A cidade burguesa e endinheirada aguçou-lhe o temperamento sarcástico que faria dele um romancista notável e do Porto o cenário de grande parte das suas obras. Em 1846, foi preso na Cadeia da Relação do Porto pela primeira vez, por causa de uma aventura amorosa com Patrícia Emília do Carmo, de Vila Real, de cuja relação nascera uma filha. Depois de uma passagem por Coimbra e Vila Real, em 1848, Camilo fixou residência no Porto. Em 1857, começou o romance com Ana Plácido, do qual resultou um processo de adultério e a prisão dos dois amantes. Absolvidos em julgamento, retiraram-se para a quinta de São Miguel de Seide, que pertencia a Ana Plácido, por herança do marido, entretanto falecido. Desgostos com os filhos e a sua progressiva perda da visão acabaram por levar Camilo ao suicídio. Foi sepultado no cemitério da Lapa, no jazigo do seu amigo Freitas Fortuna.

No mesmo edifício e no mesmo andar onde Camilo e Ana Plácido se casaram, funcionou posteriormente a redação do jornal católico A Ordem, fundado em 1913 e que continua a publicar-se, mas tem agora sede na rua do Bonfim.

Logo a seguir, surge à nossa esquerda a rua de Guedes de Azevedo. E quem foi este senhor? – Perguntará o(a) curioso(a) leitor(a). Pois bem, sabe-se apenas que foi um benemérito que doou terreno e dinheiro à Câmara do Porto para abrir este arruamento que liga Santa Catarina à rua do Bonjardim. Daqui avistamos a igreja de Nossa Senhora da Boa Hora de Fradelos, erguida entre 1804 e 1851. E, mais ao fundo, vemos a torre do hotel D. Henrique, que tem dezoito andares (o que é bastante para o Porto) e foi inaugurado em 1973. Foi seu proprietário o banqueiro Afonso Pinto de Magalhães (1913-1984). O projeto ficou a cargo dos arquitetos Luís Pádua Ramos (1931-2005) e José Carlos Loureiro (1925-2022).

Uns 70 metros acima do entroncamento com Guedes de Azevedo, a rua de Santa Catarina, até aqui perfeitamente retilínea desde a Batalha, inflete ligeiramente para a esquerda. 

E aqui temos mesmo que parar!

Cotovelo da rua de Santa Catarina, único local onde é possível ver o início (à esquerda) e o fim (à direita) da rua [Manuel de Sousa]

Porque é neste cotovelo – e só aqui – que podemos ver o início e o fim da rua de Santa Catarina. Olhando para sul, vemos a Batalha, e, voltando-nos para norte, vemos o arvoredo da praça do Marquês de Pombal. A partir deste ponto, a rua segue novamente em linha reta até ao Marquês. É possível, também, verificar que a rua se torna mais larga.

Escola Augusto Gil

Logo à frente, no número 788, encontramos um portão de ferro – que está sempre fechado – com a inscrição "Escola Preparatória Augusto Gil". Trata-se da atual Escola Básica Augusto Gil que ministra o 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (do 5.º ao 9.º ano de escolaridade) e integra o Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa. A entrada principal (de facto, a única que é usada hoje em dia) da Augusto Gil é pela rua da Alegria. Mas, no passado, ambas as entradas eram utilizadas.

Mas o local da atual Augusto Gil tem já uma longa tradição ligada ao ensino. Nos finais do século XIX, este terreno pertenceu à condessa da Azambuja, Maria de Assunção Ferreira (1842-1905). Os seus herdeiros alugaram o espaço para a instalação do Colégio de Nossa Senhora da Estrela ou, simplesmente, Colégio da Estrela, feminino. A qualidade do ensino e os valores que inspirava o colégio atraíram alunas de todo o Norte de Portugal e do Brasil. O colégio tinha os três tipos de regime: o interno o semi-interno e o externo. O programa de ensino incluía a instrução primária, secundária e a admissão à Escola Normal (de formação de professoras para o ensino primário), situada a uns meros trezentos metros de distância do colégio. Tinha como disciplinas, entre outras, o piano, o canto, a dança, a ginástica, a pintura, os bordados, as flores, a costura, o corte e os trabalhos em couro e madeira.

Colégio de Nossa Senhora da Estrela, 1915 [Foto Guedes | Porto Desaparecido]

Quando o Colégio da Estrela suspendeu atividade, no ano letivo de 1928-29, iniciou o Colégio de João de Deus, com 184 alunos todos do sexo masculino. Ministrava os quatro anos de ensino primário e os sete anos de ensino liceal. No ano letivo de 1960-61 chegou a ter 900 alunos, quando foi considerado o maior colégio masculino do Porto. Teve muitos professores eminentes, entre os quais o historiador portuense Artur de Magalhães Basto (1894-1960). Funcionou durante 45 anos, terminando no ano letivo de 1973-74 quando – por decisão do ministro Veiga Simão (1929-2014) – passou a escola pública, adotando o nome de Augusto Gil, em homenagem ao poeta nascido em Lordelo do Ouro, em 1873.

Logo a seguir, surge à nossa esquerda a espaçosa rua de Gonçalo Cristóvão.

Gonçalo Cristóvão, de seu nome completo Gonçalo Cristóvão Teixeira Coelho de Melo Pinto de Mesquita (1779-1832), foi um fidalgo com origens em Vila Real, dono da casa e da quinta de Santo António do Bonjardim. Dando cumprimento à sua vontade, em 1838, o seu filho cedeu gratuitamente à Câmara do Porto terrenos para abertura de três arruamentos, com a condição de que um deles ficasse com o nome do pai. Os outros dois são a rua de Camões e a, então, rua do Duque do Porto (hoje, João das Regras). 

A rua de Gonçalo Cristóvão começou a ser rasgada em 1839, estabelecendo inicialmente a ligação entre o largo de Santo Ovídio (praça da República) e a rua do Bonjardim. Foi só após demoradas expropriações que, em 1874, chegou a Santa Catarina. O atual Plano Diretor Municipal do Porto prevê o prolongamento de Gonçalo Cristóvão, em túnel, até Santos Pousada, ideia que não é nova.

Rua Bela da Princesa

Preparado(a) para "atacar" o troço superior de Santa Catarina?

A rua, a partir daqui, abandona completamente a sua faceta de via pedonal, torna-se mais larga e passa a ter várias faixas de trânsito automóvel: até à rua da Escola Normal: uma faixa ascendente e duas descendentes; daí até à rua da Fontinha: duas faixas ascendentes e uma descendente; daí até à rua de João de Oliveira Ramos: uma ascendente e outra descendente e, na sua parte final: duas faixas, ambas ascendentes.

Arranque do lanço superior da rua de Santa Catarina, com a rua de Gonçalo Cristóvão, à esquerda, 2023 [Manuel de Sousa]

Neste seu lanço superior, Santa Catarina perde o seu cunho comercial, tornando-se uma rua eminentemente habitacional, mas com muitos edifícios devolutos. No entanto, nos últimos anos, alguns desses edifícios têm sido recuperados e adaptados a pequenas unidades hoteleiras direcionadas a turistas.

Como já tinha referido anteriormente, caro(a) companheiro(a) de caminhada, até 1860, o tramo superior de Santa Catarina teve o nome de rua Bela da Princesa. A princesa em questão era Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830), filha do rei Carlos IV de Espanha e da sua esposa, a princesa Maria Luísa de Parma. Com apenas dez anos de idade, Carlota Joaquina casou-se com o então infante D. João que, mais tarde, seria D. João VI, rei de Portugal. Carlota Joaquina tornou-se, então, rainha consorte de Portugal. Ficou conhecida pelo seu temperamento conflituoso e comportamento reiteradamente contrário ao regime constitucional saído da Revolução Liberal do Porto de 1820.

O arranque deste troço de Santa Catarina é marcado pela presença da delegação do Porto do Automóvel Clube de Portugal (ACP) – instituição automobilística portuguesa fundada em 1903 – no gaveto com Gonçalo Cristóvão.

Uns metros mais à frente, também do lado esquerdo da rua, no número 935, numa casa térrea recuada onde chegou a estar instalada a Direção de Viação do Porto, está o Abrigo de Nossa Senhora da Esperança. Trata-se de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), fundada em 1960, pela benemérita Maria José Novais. Destinada inicialmente a alojar senhoras doentes e socialmente desprotegidas, evoluiu para lar de idosos (residência sénior), no Porto e na Maia.

Rampa da Escola Normal

Um pouco mais acima, temos a travessa da Fontinha (à esquerda) e a rua da Escola Normal, mais conhecida como rampa da Escola Normal (à direita), pelo seu acentuado declive. Esta foi rasgada em meados do século XIX para unir à rua da Alegria. O nome vem-lhe da escola de formação de professores do ensino primário que se estabeleceu aqui em 1885, vinda da rua das Flores. Atualmente o edifício alberga a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) e integra o teatro Helena Sá e Costa. 

Não sei se o(a) leitor(a) que me acompanha neste percurso se recorda, mas, nas décadas de 1960, 1970, 1980 (e, se calhar, também antes e depois) a rampa da Escola Normal tornou-se, praticamente, um local de passagem obrigatória em todos os exames de condução. No "dia D", era quase certo que os examinadores mandavam o(a) examinando(a) até esta rua de fortíssima inclinação. Um estacionamento em paralelo, uma inversão de marcha ou qualquer outra manobra para a qual era imprescindível um domínio de mestre sobre o ponto de embraiagem era requisito imprescindível para quem aspirava a tirar a carta de condução. Deixar o carro ir abaixo ou dar um pequeno toque no passeio era, quase sempre, o suficiente para se chumbar. E quantos portuenses terão chumbado na fatídica rampa da Escola Normal? 

Do outro lado da rua, a travessa da Fontinha liga Santa Catarina ao largo do mesmo nome. A Fontinha, cujo nome provém de uma nascente de água, foi muito usada como pedreira. Por exemplo, daqui foi levada a pedra necessária à reconstrução da igreja do mosteiro de São Bento de Ave-Maria, após o incêndio que sofreu em 1783. A Fontinha era, também, conhecida pela Fábrica Social. Fundada em 1842, foi uma das maiores fábricas de chapéus da cidade, tendo sido, em 1908, agraciada com o título de Real Fábrica Social. Sobreviveu como fábrica de tecelagem e produção de plásticos até 1986. Em 2009, o antigo espaço industrial foi ocupado pela Fundação do Escultor José Rodrigues, com um núcleo de ateliês de artistas, salas de exposições, galerias de arte e espaços sociais. Recentemente, foi anunciado a transformação da antiga Fábrica Social no Porto Art's Square, um novo empreendimento de escritórios, lojas e apartamentos, mas que incluirá um espaço para a sede da Fundação José Rodrigues, num projeto do arquiteto Ginestal Machado.

Regressamos à rua da Santa Catarina para, no número 1018, encontramos o hotel América. Antes de se ter tornado um espaço hoteleiro, este era um prédio de habitações. No segundo andar, viveu o poeta Guerra Junqueiro (1850-1923), na segunda década do século XX. Nascido em Freixo de Espada à Cinta, Guerra Junqueiro foi escritor, poeta, jornalista e político. Foi o poeta mais popular da sua época, tendo a sua poesia ajudado a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Desde 1942, junto à Sé do Porto, há uma casa-museu com o seu nome que recria o ambiente privado da sua residência, apesar do poeta nunca lá ter vivido. Em 1966, os restos mortais de Guerra Junqueiro foram trasladados para o Panteão Nacional, em Lisboa.

Casas construídas por José Pereira Loureiro, projeto de 1868 e seu estado atual, 2023 [Manuel de Sousa]

Um pouco acima do local onde a rua da Fontinha entronca com Santa Catarina, mais concretamente nos números 1202 a 1210, vemos a parte central de um conjunto de casas mandadas edificar, em 1868, pelo brasileiro de torna-viagem José Pereira Loureiro (1821-1897), feito visconde de Fragosela pelo rei D. Luís, em 1870. Apesar desde bloco central ter permanecido relativamente inalterado, alguns dos edifícios contíguos que faziam parte do conjunto foram bastante alterados e outros foram pura e simplesmente demolidos, perdendo-se definitivamente a harmonia do projeto inicial. É com estas e com outras do género que o património da cidade vai ficando mais pobre...

António Rigaud Nogueira

Mais acima, no número 1316, encontramos um magnífico palacete com características neomedievais.

Projeto da casa de António Pereira da Silva, publicado em 1908 [revista A Construcção Moderna, n.º 265, pp. 1-3]

Foi mandado erguer em 1907 pelo capitalista António Pereira da Silva. O projeto de construção, da autoria do eng.º António Rigaud Nogueira (1861-1932) – também autor de um edifício nesta rua, um pouco mais acima (falaremos dele já a seguir), e de outro palacete próximo, na rua do Bonjardim –, incluía um anexo voltado para a rua das Doze Casas que servia de garagem particular e habitação dos criados. Em 1966, o palacete foi vendido ao Grémio Nacional dos Importadores de Algodão em Rama e, na década de 1990 passou para a posse do Ministério da Saúde que aí instalou a sede da Administração Regional de Saúde do Norte.

O excêntrico edifício do Castelo de Santa Catarina, 2023 [Manuel de Sousa]

Quase em frente, bastante recuado em relação à rua vemos a excêntrica construção, erguida em terrenos que, em 1887, foram adquiridos pelo comendador António Pimenta da Fonseca, grande industrial natural de Lever, Vila Nova de Gaia. O projeto da casa acastelada data de 1942 e funciona atualmente como hotel, com o nome de Castelo de Santa Catarina. O conjunto inclui garagem, capela, pérgula, jardim, fonte, esplanada, campo de jogos e gruta artificial, com amplo uso de azulejos e estruturas de ferro forjado.

Cerca de 50 metros mais acima, à esquerda surge-nos a rua de João de Oliveira Ramos que liga à rua do Bonjardim. Aberta em finais do século XVIII, foi travessa da Princesa, da Aguardente, das Carvalheiras e de Santa Catarina até que, em 1942, adotou a sua designação atual. João de Oliveira Ramos (1835-1909) nasceu em Ovar, tirou o curso de farmácia no Porto, mas dedicou-se ao jornalismo. Colaborou com vários jornais, mas foi n'O Primeiro de Janeiro que trabalhou desde 1874 até à sua morte, sendo conhecido como Pai Ramos. Foi um dos fundadores da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Casas de António Rigaud Nogueira, 2023 [Manuel de Sousa]

Mesmo em frente ao entroncamento da rua de João de Oliveira Ramos com Santa Catarina, nos números 1432 e 1434 desta, encontramos um curioso edifício, projeto de António Rigaud Nogueira. Natural da Baía, mas filho de um portuense, engenheiro civil formado pela Academia Politécnica em 1889, fixou-se no Porto onde constituiu família e desenvolveu a sua atividade. Foi um projetista que chamou a atenção na passagem do século XIX para o XX, autor de palacetes e de várias moradias. Estas têm em comum a busca de algum exotismo que se observa no uso intenso do granito, aplicado até às varandas do 1.º andar, nos remates ameados dos edifícios e, particularmente, nas bizarras bandeiras de portas e janelas em arcos de ferradura, de referência árabe, em consonância com o gosto eclético do romantismo.

Casa de Saúde de Santa Catarina, 2023 [Manuel de Sousa]

Logo depois, do lado esquerdo da rua, a Casa de Saúde de Santa Catarina. Fundada em 1933 como clínica cirúrgica, em 1961 passou a funcionar como clínica de doenças psiquiátricas. Atualmente, afirma-se como "a única casa de saúde na área da neuropsiquiatria e saúde mental que conjuga uma série de especificidades". Está instalada no palacete que pertenceu ao brasileiro de torna-viagem José Álvares de Sousa Soares (1846-1911). Natural de Vairão, Vila do Conde, ficou órfão de pai e mãe, emigrando para o Brasil com apenas 16 anos de idade. Após se ter envolvido em vários negócios, a sua débil saúde levou-o a interessar-se pela homeopatia, dedicando-se ao estudo do assunto e criando um laboratório. Com 50 anos regressou a Portugal e, em 1901, comprou este palacete a um médico que nunca o tinha chegado a habitar, introduzindo alterações ao edifício.

Colégio de Mouzinho de Albuquerque, 1939 [Foto Guedes | Porto Desaparecido]

Mesmo em frente à Casa de Saúde de Santa Catarina, no n.º 1500, existiu um palacete onde funcionou o Colégio de Mouzinho de Albuquerque, também conhecido como Colégio Portuense. Entre 1958 e 1975 foi seu diretor o padre António Barros. O edifício acabou por ser demolido na segunda metade da década de 1970, para dar lugar a mais um incaracterístico prédio de apartamentos.

Doze Casas

Praticamente a chegar ao Marquês, surge-nos à direita a rua das Doze Casas.

Ora aí está um topónimo que me causava um certo fascínio quando eu era criança: Doze Casas. Imaginava eu uma pequena e alegre aldeia, rodeada de floresta, com apenas uma dúzia de singelas habitações. Todos os aldeões se conheciam e trabalhavam em plena rua: o ferreiro, o sapateiro, o tecelão, etc. Assim do género da aldeia do Asterix, em versão portuense. Como é fértil a imaginação das crianças… E depois, quando lá chegava, constatava que, afinal, aquilo não passava de mais uma rua banal do Porto, acanhada e cheia de trânsito! Bem, mas até é possível que, num tempo recuado, a minha fantasia tivesse correspondido aproximadamente à realidade. Se bem que, escrevendo em meados do século XIX, o historiador Henrique Duarte e Sousa Reis (1810-1876) tenha admitido desconhecer "o motivo por que se deu este nome a uma rua que nem ao menos tem esse número de habitações"!

Em 1820, num registo paroquial, surge-nos a primeira referência ao "Sítio das Doze Casas". Dezasseis anos mais tarde, estabeleceu-se aqui um dos postos de antiga linha de fiscalização e cobrança do denominado imposto do real-d'água (explico mais abaixo). No ano seguinte, aparece-nos identificada como viela das Doze Casas que, em 1843, sabemos que já eram dezassete as casas. O arruamento inicial evoluiu de um caminho rural tortuoso que só foi completamente alinhado em 1914, apesar de diversos planos anteriores nesse sentido.

Já agora, diga-se que o real-d'água foi um imposto lançado durante o domínio filipino (1580-1640) para fazer face a despesas temporárias com a construção de aquedutos e chafarizes. Incidia inicialmente sobre o vinho, mas rapidamente se alargou a outros produtos, tais como a carne, o arroz, o azeite, o vinagre e todas as bebidas alcoólicas. Por causa do real-d'água, houve tumultos e levantamentos populares que precipitaram o fim do domínio dos Filipes, ajudando à restauração da independência. Os Filipes saíram em 1640, mas o imposto só foi extinto em 1922!

Voltando a Santa Catarina. No gaveto com a rua de Latino Coelho fica o Colégio Nossa Senhora da Paz das Irmãs Doroteias no Porto. Chegadas a Portugal em 1866, as Irmãs Doroteias estiveram sempre ligadas a estabelecimentos de ensino e a outras obras de cariz social. Inicialmente na rua de Cedofeita e, depois, na rua do Breiner, o colégio veio para este local em 1925. E foi aqui que, em 1963, foi criada a Escola de Educadoras de Infância de Paula Frassinetti que se autonomizou, sendo agora a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti e estando instalada na adjacente rua de Gil Vicente.

A poucos metros apenas do local onde Santa Catarina desemboca no Marquês, no número 1583, fica a casa que albergou o ateliê do fotógrafo Teófilo Rego (1914-1993). Nascido em Manaus, Brasil, veio para Portugal com dez anos de idade. Começou a trabalhar aos onze anos como aprendiz de tipógrafo na Marques Abreu & C.ª, firma onde permaneceu muitos anos. Com trinta anos de idade foi trabalhar para a Lito Maia como fotógrafo, estabelecendo-se por conta própria aos 42 anos. Fixou-se na rua da Alegria e especializou-se em ampliações. Como fotógrafo, colaborou com o jornal Diário do Norte e recebeu numerosas encomendas para trabalhos de artistas, arquitetos, câmaras municipais e empresas. Em 1956, mudou-se para o número 1583 de Santa Catrina, ao Marquês. Faleceu em 1993. Em 1999, o seu arquivo fotográfico – com cerca de 500 mil negativos – foi adquirido aos herdeiros pela Fundação Manuel Leão, de Vila Nova de Gaia, que criou a Casa da Imagem com o objetivo de conservar, estudar e divulgar esse extraordinário fundo fotográfico.

Desta forma, depois de termos percorrido 1.540 metros  em duas etapas , terminamos o nosso percurso pela rua de Santa Catarina ao entrarmos finalmente na praça do Marquês de Pombal. Ufa! Caríssimo(a) leitor(a), muito teria eu a dizer sobre este largo que, até 1882, ostentou a curiosa designação de Aguardente, mas ficará para uma próxima oportunidade. Não me esquecerei de o(a) convidar a acompanhar-me nesse próximo passeio por mais um recanto da nossa belíssima cidade do Porto.

Por agora, é tudo! Saudações portuenses!

Gostou deste artigo? Leia também:

Para saber mais:

  • BROCHADO, A. (1996). Santa Catarina: História de uma rua. Porto: Livraria Telos Editora.
  • CAMPOS, F.P., ASSIS, A.M (2019). Judeus: Os Navarros de Lagoaça, volumes I, II, III e IV. Lisboa: Edições Colibri [compre online].
  • FERRÃO, B.J. (1997). Projecto e transformação urbana do Porto na época dos Almadas, 1758-1813: Uma contribuição para o estudo da cidade pombalina. Porto: FAUP [compre online].
  • FERREIRA, M.F.C. (2016). Prontuário de toponímia portuense. Porto: Edições Afrontamento [compre online].
  • FERREIRA, N.P.S. (2017) A arquitectura residencial portuense na primeira metade do século XX: Licenciamento de obras, autores, tipologias e morfologias. Porto: FLUP [disponível online].
  • MIGUEL, N.M.F.S.R. (2010). A rua de Santa Catarina e as suas arquitecturas. Porto; FAUP [disponível online].
  • NONELL, A.G. (2002). Porto, 1763-1852: A construção da cidade entre Despotismo e Liberalismo. Porto: FAUP [compre online].
  • ROCHA, S.I.S. (2020). A patrimonialização das grandes áreas comerciais: estudo histórico: reflexão teórica: programação artístico-cultural. Porto: Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa [disponível online].
  • SOUSA, M. (2017). Porto d'honra: Histórias, segredos e curiosidade da Invicta ao longo dos tempos. Lisboa: A Esfera dos Livros [compre online].
  • TAVARES, D. (2017). Transformações da arquitectura portuense. Porto: Dafne Editora, FAUP [compre online].

Comentários

  1. Gostei muito de saber tudo relacionado com a rua de Santa Catarina muito obrigado

    ResponderEliminar
  2. Excelente trabalho !!

    ResponderEliminar
  3. Há uma casa brasonada na R. Sta Catarina, onde funciona a sapataria >Manuel Alves. Não encontro nenhuma referência a este edifício. Gostava de saber a quem pertenceu e a sua história. Obriado.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Artigos mais populares:

Ponte Luís I: história de uma obra única

Santa Catarina: da Batalha à rua Formosa

A fascinante história da expansão da Boavista

Serra do Pilar: mosteiro, morro e aqueduto